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Crítica: Looper – Assassinos do Futuro

Dramas e tiroteios pelo espaço-tempo
Viagens no Tempo: há décadas gerando discussões infindas e histórias de todo tipo. O cinema, em especial, parece adorar o artifício. Filmes como “O Exterminador do Futuro” (1984) trabalham o formato habitual de alguém do futuro voltando para o passado para matar alguém. Rian Johnson, o diretor e roteirista de “Looper”, decidiu fazer o contrário: e se pessoas do futuro fossem enviadas para o passado para serem mortas?

No futuro, a viagem no tempo foi descoberta e proibida. Isso não impediu que grupos criminosos se aproveitassem da tecnologia para enviar ao passado aqueles que quisessem “apagar”. Como corpos podem ser facilmente rastreados em sua época, os chefões enviam para 2042 as vítimas, que são mortas e tem seus corpos destruídos por agentes conhecidos como Loopers.
Joe (Joseph Gordon-Levitt) é um desses executores, fazendo fortuna e vivendo à base de drogas e festas. Um dia, porém, a vítima enviada é ninguém menos que ele mesmo, 30 anos depois (Bruce Willis). O Velho Joe consegue escapar de sua execução, partindo para tentar eliminar aquele que um dia se tornará o Rainmaker, o chefão da máfia. Joe, enquanto isso, passa a fugir de seus companheiros, que o caçam para acabar com seu “eu” futuro. Resta ao rapaz decidir ser deve eliminar aquele que irá se tornar ou ajudá-lo em seu plano.



À primeira vista, ler sobre o enredo de Looper pode gerar certa má vontade. Mais uma história de viagem no tempo. Mais um enredo envolvendo assassinos de outra época e voltar ao passado para mudar as coisas. Por outro lado, o filme brilha pelo enredo e personagens, não deixando que os artifícios ou a ação sejam superiores ao que realmente importa.
Um bom filme de ficção científica tem que trabalhar em um universo bem estabelecido, com regras específicas, que, ao mesmo tempo, faça sentido, como o mundo real faria. Aqui começa o primeiro grande mérito de Looper: Joe vive em um ambiente urbano sujo, pobre, decadente e deprimido. Os mais ricos são os criminosos, e a pobreza é um grande problema social, com mendigos e vagabundos aos montes – inúmeras vezes, personagens se referem a eles, seja por sua presença ou por supostos ataques dos sem-teto – com uma naturalidade assustadora. Não somos apresentados formalmente a nada. Tudo está lá porque faz sentido estar lá.

A presença de Willis já deve sinalizar para muitas cenas de ação, como esperado, levando em conta seu histórico, e o próprio Gordon-Levitt se envolve em mais de um tiroteio no decorrer da história. As lutas, duelos e perseguições são simples, mas satisfatórias, conseguindo surpreender e garantindo uma dose saudável de adrenalina. Também é aqui que entra o melhor uso de câmera, com movimentos incomuns e ângulos especialmente “estilosos”. O diretor gostou de usar e abusar de enquadramentos e movimentos de câmera criativos, que só adicionam ao clima de incerteza e à trilha tensa e ruidosa.

Mas no final das contas, o melhor de “Looper” é seu elemento humano. Seja o drama existencial dos próprios assassinos, de possivelmente terem que matar a si mesmos; o drama social do povo da cidade de Joe; o sofrimento de Sara (Emily Blunt), criando sozinha o pequeno garoto-prodígio Cid (Pierce Gagnon), até o sofrimento e incerteza do Joe Futuro, de abandonar seu tempo e esposa, ter que escapar de si mesmo e se ver com a difícil decisão de ter que assassinar inocentes para chegar a seu objetivo.

A dupla de Joes funciona extremamente bem, cada um a seu modo. A maquiagem e lente de contato deram uma nova cara a Gordon-Levitt, que se passa muito bem por um jovem Willis. Um crédito especial também fica para o elenco de secundários, que garante muito mais força e realismo ao universo criado, sejam os não-tão-indefesos Sara e Cid, até o colega Looper de Joe, Seth (Paul Dano) ou mesmo o odioso capanga egocêntrico Kid Blue (Noah Segan).
 

Crítica: Dredd

  

Execuções excelentemente executadas
Nascido na revista inglesa de quadrinhos de ficção científica “2000 AD”, o personagem Judge Dredd (ou, claro, Juiz Dredd) coleciona fãs desde sua estréia em 1977. Apesar de passar longe de franquias de empresas mais conhecidas como Marvel ou DC, Dredd sempre se destacou pelo humor negro e violência excessiva.

Os quadrinhos, que até hoje são publicados, já deram origem a livros, games e diversos outros produtos, em boa parte com sucesso. A primeira aventura nos cinemas, em 1995, falhou miseravelmente. Assim, o anúncio de um novo filme de Dredd era de longe desacreditada pelos fãs e pela crítica. Por sorte, estávamos todos errados:

No futuro, os Estados Unidos foram arrasados por desastres nucleares, sendo que a civilização sobrevivente se organiza na imensa Mega City Um, com 800 milhões de habitantes, misturando as antigas ruínas com novas e gigantescas construções de alta tecnologia. A vida aqui é difícil – muitos vivem em miséria, a taxa de criminalidade é altíssima e, como se não bastasse, a cada dia surgem novas ameaças como a droga Slo-Mo, que se espalha cada vez mais.

“Dredd 3D” passa longe do carnaval de “O Juiz” (“Judge Dredd”, 1995), a ridícula produção estrelando Sylvester Stallone como o violentamente eficiente Juiz. A “obra” de 1995 pisoteou o conceito original do personagem, abandonando vários elementos que fazem Dredd e seu mundo serem como são, de quebra sapateando por muitos anos nas esperanças dos fãs verem uma representação digna, de carne e osso. Felizmente, preconceitos foram abandonados, barreiras foram quebradas e pela primeira vez temos o Juiz Dredd na telona e em sua verdadeira essência, fazendo o que faz de melhor: chutar bundas criminosas.
A violência de “Dredd” é gratuíta, e isso é excelente. Qualquer um que ler os quadrinhos originais verá pancadarias, tiroteios e explosões, resultando em sangue para todos os lados, pedaços de pessoas e pilhas de cadáveres. Seguindo essa linha, o filme tem exatamente isso. Os primeiros minutos nos brindam com um atropelamento, um acidente de carro, um homem queimando de dentro para fora, assim como três pessoas com a pele arrancada, arremessadas de centenas de metros de altura. Repetindo: isso são só os primeiros minutos.

É fácil perder as contas de quantos morrem em Dredd. Não pense, porém, que as mortes são baratas ou mal-executadas: há uma verdadeira estética para as lutas e tiroteios, com ângulos de câmera ousados e sem medo de mostrar feridas abertas, tiros na cabeça ou pedaços arrancados. A droga Slo-Mo, além de ser um dos pontos mais interessantes da história (a droga desacelera a percepção de quem a usa para 1% do tempo real), é utilizada para justificar excelentes efeitos visuais. Além de filtros de cores, a câmera-lenta ultra-devagar gera cenas fantásticas, ainda que elas estejam mostrando, por exemplo, a trajetória de uma bala através da têmpora de um criminoso, com um imenso buraco de saída sangrento.
Tudo isso funciona extremamente bem com o 3D. Aliás, o filme é um prato cheio para o formato, contando com balas, sangue, pedaços de concreto e metal… tudo isso “arremessado” em direção à câmera e o 3D beneficia muito. No geral, o efeito funciona bem, sem exageros desnecessários, mas em uma ou duas cenas de explosões que chegam a incomodar os olhos.
A estética do sangue e da violência é algo que, com o tempo, não incomoda, passando a existir quase como se fosse uma história em quadrinhos, ainda que mais detalhada. E convenhamos, não poderia ser de outro jeito: se estamos falando de super-soldados com armas de alta tecnologia, não há como escapar de maneiras extremamente letais de agir.

Tudo isso é acompanhado de uma movimentada trilha da música eletrônica que dita bem o ritmo da suja e violenta Mega City Um. Se você gosta de quadrinhos, filmes violentos e ação ininterrupta, aqui está uma opção de primeira.

Crítica: Resident Evil 5 – Retribuição

 

Novamente pelas mãos do diretor, produtor e roteirista (!) Paul W. S. Anderson, a franquia Resident Evil ganha mais uma encarnação cheia de tiroteios, pancadaria e incontáveis zumbis e monstros.

Depois dos eventos de “Resident Evil: Recomeço” (2010), Alice (Milla Jovovich) se encontra no navio Arcadia, cercada por naves da maligna Corporação Umbrella. Liderados pela sua antiga amiga Jill Valentine (Sienna Guillory), os soldados atacam o navio e capturam Alice, que é levada para o principal laboratório da empresa. Felizmente, para a sorte da heroína, o vilão Albert Wesker (Shawn Roberts) traiu a Umbrella e recrutou a ex-agente Ada Wong (Bingbing Li), assim como um grupo de mercenários liderados por Leon Kennedy (Johann Urb) e Luther West (Boris Kodjoe) para tirá-la de lá. Com seus companheiros, Alice descobre que a inteligência artificial Rainha Vermelha (Megan Charpentier, voz de Ave Merson-O’Brian) se voltou contra a humanidade, e o grupo pode ser a última esperança de salvação.




Infelizmente tenho que dizer que os filmes do resident poderiam ser melhores se tivessem seguido um pouco mais o jogo porque muita gente só o conhece assim, mas para ninguém dizer que não foi avisado: a série de filmes Resident Evil, apesar de baseada vagamente na série de games de mesmo nome, foge completamente do enredo de qualquer uma de suas versões, reaproveitando elementos e personagens. Para este último filme, isso continua verdadeiro, mesmo com a presença de caras bem conhecidos dos games como Ada Wong e Leon Kennedy(um dos principais da história). Com isso entendido, evitaremos comparações com o universo dos games, ok?
Como costumeiro na série, “Retribuição” começa com uma cena de abertura recheada de ação épica, executada com primor. O que poderia ser uma sequência simples de tiroteio e explosões ganha muito com a construção da cena, mais, claro, uma boa dose de efeitos especiais. Possivelmente, é uma das melhores aberturas da franquia, e surpreendentemente funciona muito bem com o 3D.

O que acontece em seguida, por outro lado, é um pouco estranho: com uma série de telas flutuantes, revivemos, com narração de Alice, todos os eventos que levaram a série até ali. A sequência parece não ter muito lugar no filme, sendo quase um insulto para a inteligência e memória dos que acompanharam tudo. Claro, é uma boa maneira de explicar tudo que aconteceu para os que não viram os 4 primeiros filmes, mas por que alguém escolheria começar a assistir pela quinta parte da história, é difícil saber.

Para os que assistiram até aqui, “Retribuição” é de longe superior às últimas versões, com uma ação mais concisa, um melhor acabamento e um enredo um pouco mais amadurecido. O 3D, como um todo, também se destaca, ainda que caia mais de uma vez em caminhos “fáceis” na hora de jogar objetos na direção da platéia. Divertido, deixando uma abertura decente ao sexto volume que, ao menos até o momento, dizem que será o último capítulo da série.